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Cobaias de Lázaro

Quando um livro se torna real:

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O livro apresenta 14 histórias, aparentemente surreais e desconexas, mas interligadas de maneira surpreendente. Dez autores dão vida a diversos personagens complexos e intrigantes que estão participando de um experimento perturbador. Leia e descubra o que eles têm em comum.

Discutir um tema, definir os capítulos, pensar numa história, escrever, mais reuniões…posso dizer com certeza de que o mais fácil foi escrever os dois contos.
Criar um livro é um trabalho gigantesco, até mesmo um ebook, mas com certeza foi um trabalho divertido.

Cobaias é a primeira publicação do grupo Singularidades. O primeiro de muitos, é claro.

Se quiserem conferir o livro, acesse:

Amazon
Apple
Kobo

Confira o booktrailer:

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Colosso

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O Colosso esperava. Seu artesão havia lhe construído para que soubesse esperar por séculos e eras.
Décadas desde que foi criado pelo artesão, esperando seu propósito.

Ele guardou a ponte de Roktar por quarenta e sete anos até o dia da Decaída.

Agora aguardava a mesma criança que o despertara. A floresta não permitiria que o colosso andasse sem fazer barulho, então seu mestre mandou esperar.
Com a espada fincada no solo e mãos sobre o cabo da arma o Colosso era imóvel.

Monólitos ambulantes como o Colosso não possuem pálpebras para fechar os olhos, mas ele submergiu em seu sono profundo quando seu mestre disse:

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O bardo e os céus

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Ele se levantou. Sentia dores em todo o corpo mas o cansaço da batalha o mantinha anestesiado. Ergueu sua guitarra.
Incapaz de acreditar no que estava diante de seus olhos, o bardo conferiu se seu instrumento estava intacto:
Um grande arranhão nas costas da guitarra e uma lasca faltava no braço de madeira.
“Ainda estou vivo. Ainda não acabou”

Iniciou os mesmos acordes que tinha executado no início da batalha, nos momentos de reflexão que antecipavam  cada batalha dos guerreiros no front. O bardo se recordava de ter olhada para as estrelas antes de perder a consciência.

– Com mãos erguidas e esperança intacta. Coloco meu olhar sobre as estrelas… – recitou, uma letra improvisada diante dos corpos, pequenos montes de soldados caídos e bandeiras rasgadas.
– …não posso sentir seu calor, queimando em minha pele…

Lágrimas começavam a cair involuntariamente, assim como as notas.
“Levantem-se! Levantem-se! Sois guerreiros de tua pátria ou se esqueceram de suas famílias? Eles exterminarão tudo, até a casa de seus filhos se permitirem!” as palavras do general eram muito claras. A esperança de seu povo estava em jogo.

O general havia sido um daqueles a deixar a lança cair, sem vida.

-…mas elas ainda brilham… – a esperança. Havia alguém vivo entre todos os caídos?
“Este é o requiem de meu povo? Sou o último, para que este vale de ossos tenha uma testemunha?”

O coração apertou mais ainda quando sentiu uma mão sobre seu ombro esquerdo. O som de armaduras, grunhidos e vozes quebradas, porém vivas.

-…não há necessidade de questiona-las.

Um dos soldados levantava uma bandeira surrada, o estandarte azul, e aquele que tocara seu ombro tirava uma manopla amassada da mão direita.
– Ouvimos teu chamado, irmão. Poucos sobreviveram, mas somos o suficiente…nosso povo ainda observará as estrelas.

O bardo parou de tocar. As lágrimas eram de alívio. Eram lágrimas de esperança.

Elohim estava nas estrelas.

Olhos VII

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Olhos tão diferentes
Esses que me olharam
E pela primeira vez
Eu me senti
Notado

Quando lembro-me
De seus olhos
Sinto como se eu finalmente pudesse
Olhar com felicidade
Para quem tem olhos tão alegres

Meu coração se derrete
Como lava
Esses olhos que encontrei
São daquela que quero conhecer

Se os olhos dela também quiserem
A última poesia dos olhos essa deve ser

 

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Dia 0
Dia 1
Dia 2
Tarde Final

____________

“Então você é tipo um policial dos super-herois?” uma tia perguntou quando entrei pro departamento de Supers.
“Mais ou menos, tecnicamente o Departamento não faz parte da polícia em si” respondi da melhor forma que pude, mas já era tarde demais: eu era o policial dos super-herois para toda a família.
Não era o tipo de reação que eu esperava, ninguém ali se manifestava muito a favor da existência de gente com poderes andando pelas ruas, muito menos um membro da família sendo um Super.
Mas eles aceitaram isso da forma mais amigável possível. Isso foi antes mesmo de descobrirmos sobre nosso tio telepata.
Achei estranho, mas meu pai me explicou no natal seguinte:

“Não importa se você sobe paredes ou fica invisível, filho, apenas sabendo que você está fazendo o bem com sua habilidade deixa todos nós tranquilos”
Desde então eu entendi que queria fazer algo bom com meu poder. Hoje a noite é desvendar um assassinato e derrotar um teleportador.

Pressiono o ferimento no ombro, tentando me concentrar, mas Balthier saltou mais uma vez e sua faca passou a centímetros de meu nariz.
Sinto os meus dentes rangendo e com grande esforço consigo ficar invisível.

– HAHAHAHAHA, acha que vai me parar só porque conseguiu se esconder? – Balthier usou seu teleporte para a última posição onde estava visível, mas eu já havia me movido para longe.
Atrás de uma mesinha, a placa de um dos caras da papelada: ele não teria uma arma na gaveta, infelizmente.
“Justo agora não tenho nada comigo”

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Dia 1
Dia 2

___________________

O Chefe contou apenas uma vez sobre como acabou responsável pela nossa equipe de investigação.
Poucos conheceram Amanda, a filha de Smith. Ela ganhou os poderes na primeira geração de Supers: a Valquíria.

Antes da criação das leis em favor dos Supers, antes da população se acostumar aos herois, ela foi uma das primeiras a pegar uma máscara e sair pelas ruas combatendo o crime.
A mídia lhe tornara um monstro, um ser desconhecido que voava na calada da noite e deixava inúmeros assaltantes inconscientes no chão, danos em prédios e já ganhara uma reputação enorme entre a comunidade Super.

Somente a comunidade Super sabia quem era Amanda, o que ela defendia. Smith, o Chefe, era chefe de polícia e desaprovava a vida dupla da filha.
“Eu não falava com ela fazia muito tempo” lembro do Chefe dizer.
Foi somente quando Valquíria morreu que o mundo enxergou os Supers pela primeira vez.

Um assassinato brutal: forjaram um pedido de socorro num beco e cercaram ela. As marcas de bala de chumbo devem estar ali até hoje.
Alguém havia descobrido a fraqueza dos poderes dela.

Smith ficou desolado. O país inteiro ficou comovido diante de sua entrevista para o jornal das oito…as coisas começaram a mudar.
Eventualmente a equipe de investigação dos Supers foi criada e os responsáveis pelo assassinato foram presos. O Chefe está aqui desde o dia um.
E com certeza era o caso mais complicado desde então. Continuar Lendo »

Noveau

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A vitrola emitia o som do trompete. Uma música suave, colocada ali para acalmar o suspeito.

– Conte-nos mais sobre ela, senhor Fieldman – eu disse, com o bloco de anotações na mão esquerda e lápis na direita – Seja o mais detalhado possível.

O senhor Fieldman desviou o olhar. Não ousava olhar diretamente nos olhos de ninguém.

– Senhor Fieldman, o senhor está sendo acusado por homicídio… – Parker, meu parceiro naquele caso, perdia a paciência.
– Eu sei do que estou sendo acusado, senhores – Fieldman pegou seus óculos e colocou sobre a mesa.

– Então sabe que está em apuros. Se nos ajudar, poderá se provar inocente.
– Inocente? Ela não quer inocentes…

É difícil definir o que é realidade ou o que é devaneio no conto de Fieldman. Tentarei descrever o que entendi:

Tudo havia começado num sótão cheio de poeira. Fieldman realizava uma visita a uma casa de veraneio, localizada numa longínqua comunidade interiorana.

Havia comprado o imóvel por uma bagatela, um negocio suspeito no mínimo.
A casa de madeira, completamente isolada da estrada e localizada numa clareira ao lado de um rio foi vendida com tudo que havia dentro:
Mobília, obras de arte, livros…Fieldman não procurou saber quem era o dono antigo. Continuar Lendo »

Olhos VI

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Não acreditei quando vi
Olhos sorrindo para mim
Espero não me confundir
Mas ela olhou assim.

Fui capturado
Não numa jaula
Mas num sentimento
Nenhum tormento.

Se nos seus olhos vou nadar
Que sejam olhos de sorriso
É o que quero observar.

Olhos sorrindo.
Olhos teus.

Ponto nulo

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EUA, 1911

N havia finalmente achado uma época e um lugar para se estabelecer e finalmente ter sua aposentadoria. Agora morava no território de New Austin e se chamava Nathaniel. Era um bem sucedido dono de Saloon.
– Os tempos são novos Nathaniel, já ouviu falar das novas máquinas? Os carros?” o velho Will era um dos mais assíduos frequentadores de seu estabelecimento e já estava em seu terceiro copo de uísque.
“Sim, já ouvi falar e você não sabe como elas vão mudar o mundo” pensou N mas apenas se limitou a responder: -Já, aquelas bacias de ferro? Eu consigo andar mais rápido que aquilo.
Will cuspiu para o lado e pegou seu palito de dente.
Duas figuras diferentes entraram no salão. Usavam chapéus comuns de cowboy e o mais alto usava um poncho verde. O mais baixo parecia usar a mesma roupa a anos. A música não parou e ninguém os notou, mas N sabia que homens armados e estranhos podiam significar duas coisas diferentes: Foras-da-lei ou o Governo. “Sempre iguais” pensou.
O mais alto dos dois pediu uma dose de uísque para cada. N os serviu com tranquilidade.

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Ônibus

3f1970aa6514ad017293d6241c808320[1] Todo homem um dia viu
Mulher de olhos bonitos
Ou cabelo que eclipsava o sol
Algo que lhe atraia
Mulher de passagem
Passagem de ônibus.

Alguns homens sorriem para ela
Outros desviam o olhar
Temendo que os olhos dela encontrem os seus
Olhar gelado e desconhecido
A dúvida levando sua oportunidade.

Mas a maioria deixa que ela se vá
Desça no seu ponto e siga sua vida
Vida sem ela
E ela sem você

Se teria sido melhor ou pior

Cabe a sua imaginação.

Há uma rara exceção
Em que ela olha para ele
E ele olha para ela
E olhares se tornam palavras
Palavras se tornam encontros
E o amor nasce do ar.

Dessa exceção
Eu quero exemplos

Pois é belo ver como o amor surge

Sem arrependimentos.